A chegada de um computador quântico criptograficamente relevante, frequentemente chamada de Q-day, está deixando de ser um desafio matemático teórico e distante para se tornar um marco iminente para o qual as equipes de segurança precisam se preparar desde já. Agentes mal-intencionados já estão adotando a estratégia conhecida como "coletar agora, descriptografar depois". Isso significa capturar e armazenar hoje tráfego corporativo criptografado, propriedade intelectual e registros de dados com a intenção de processá-los em hardware quântico assim que ele estiver disponível.

Na Red Hat, acreditamos que levar essa ameaça a sério significa agir antes que a crise aconteça. Em vez de tratar a criptografia pós-quântica (PQC) como um requisito de conformidade para um futuro distante, estamos liderando essa transformação ao incorporar recursos resistentes à computação quântica diretamente às camadas fundamentais da infraestrutura de nuvem híbrida. Essa abordagem oferece às organizações as ferramentas necessárias para proteger seus ativos digitais hoje, enquanto se preparam para o Q-day em um futuro próximo.

Essa urgência não é hipotética. De acordo com a Ordem Executiva 14412 da Casa Branca, espera-se que as agências federais alcancem um projeto-piloto de migração para prontidão em criptografia pós-quântica até 2027 e concluam a implementação em larga escala até 2029. Isso está alinhado ao mandato da Commercial National Security Algorithm Suite 2.0 (CNSA 2.0) da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), que exige algoritmos resistentes à computação quântica para sistemas de segurança nacional, com implementações comerciais de TLS sujeitas a prazos rigorosos até 2030. A questão estratégica não é se você tem 100% de certeza de que irá existir um computador quântico criptograficamente relevante em 2030; a questão é se você tem 100% de certeza de que ele não existirá. Organizações que esperarem a chegada desses computadores para iniciar sua migração possivelmente vão estar de três a cinco anos atrasadas e, muito provavelmente, terão seus dados arquivados já comprometidos.

Um portfólio baseado em inovação quântica pioneira no mercado

A Red Hat enfrenta esses desafios urgentes por meio de uma abordagem unificada e integrada, que incorpora a segurança quântica à própria base da sua nuvem híbrida. O Red Hat Enterprise Linux (RHEL) 10 é a primeira distribuição Linux empresarial a incluir algoritmos pós-quânticos padronizados pelo NIST, como ML-KEM e ML-DSA, habilitados nativamente no nível do sistema operacional.

Construído integralmente sobre essa base reforçada, o Red Hat OpenShift herda essas capacidades. O OpenShift não tenta desenvolver suas próprias bibliotecas criptográficas do zero. Em vez disso, utiliza o RHEL como mecanismo subjacente responsável pela conformidade e pelos algoritmos criptográficos, enquanto operacionaliza e escala esses recursos em ambientes distribuídos.

Ao transferir a segurança de camadas fragmentadas de aplicações para uma infraestrutura unificada baseada em RHEL e OpenShift, as organizações chegam a uma plataforma mais segura, em conformidade e com melhor custo-benefício. Essa arquitetura conjunta protege hoje os ativos mais valiosos de inteligência artificial contra futuras tentativas de descriptografia por computadores quânticos e contra exigências regulatórias excessivas, ao mesmo tempo em que reduz a complexidade operacional e os custos da nuvem.

Quatro principais ações para estar preparado para o Q-day

1. Faça um inventário da sua superfície criptográfica oculta em toda a nuvem híbrida

As organizações não conseguem proteger aquilo que não podem enxergar. A maioria das empresas opera milhões de conexões automatizadas entre softwares que ainda dependem de algoritmos de criptografia de chave pública antigos e vulneráveis à computação quântica. As equipes de segurança precisam ter uma visão abrangente de onde os dados são criptografados e onde as chaves digitais são geradas em ambientes distribuídos. Isso muda o foco operacional para o mapeamento de ativos de alto valor, como pesos de modelos de IA e registros de treinamento.

A política criptográfica padrão do sistema no Red Hat Enterprise Linux 10 fornece configurações criptográficas de próxima geração ao habilitar algoritmos avançados resistentes à computação quântica. Os operadores podem ativar instantaneamente padrões quânticos para encapsulamento de chaves em todas as comunicações essenciais do host. Isso permite que as equipes testem o desempenho real das aplicações, a sobrecarga de processamento e a latência antes de migrar cargas de trabalho para produção. As equipes de segurança também devem avaliar as plataformas de software essenciais para identificar padrões de segurança legados, codificados diretamente nas aplicações ou desatualizados, garantindo que as camadas fundamentais da infraestrutura ofereçam visibilidade clara das comunicações internas da rede.

2. Teste algoritmos criptográficos de próxima geração em ambientes de não produção

A transição para uma segurança resistente à computação quântica exige avaliar como os novos métodos matemáticos de criptografia afetam o desempenho geral das aplicações, os tempos de resposta da rede e a sobrecarga de processamento. Os perfis de políticas criptográficas do RHEL 10, incluindo a política FUTURE, permitem que os operadores alterem toda a postura criptográfica do host para padrões resistentes à computação quântica com um único comando. Assim, torna-se viável às equipes de segurança testar o comportamento em condições reais em toda a stack, em vez de realizar experimentos isolados em aplicações.

O recém-lançado Red Hat OpenShift 4.22 oferece troca de chaves resistente à computação quântica como um recurso de disponibilidade geral, pronto para produção. A troca híbrida de chaves baseada em ML-KEM é ativada por padrão. Isso significa que todo handshake TLS entre os componentes do plano de controle utiliza criptografia resistente à computação quântica desde o início, sem necessidade de configuração. As cargas de trabalho executadas na plataforma herdam recursos de TLS compatíveis com PQC sem exigir qualquer alteração no código das aplicações.

Como o RHEL é responsável pelas bibliotecas de segurança de baixo nível (como o OpenSSL), os desenvolvedores de aplicações não precisam reescrever código nem gerenciar a seleção de algoritmos. Essa herança contrasta com abordagens fragmentadas tradicionais de outras plataformas derivadas do Kubernetes, que não oferecem integração nativa, ponta a ponta e pronta para uso de PQC no plano de controle. Embora implementações completas em produção ainda exijam validação técnica contínua para definir as configurações ideais para cada ambiente corporativo, essa prévia tecnológica oferece um mecanismo importante para validar a compatibilidade de softwares e preparar as equipes de infraestrutura para a migração mais ampla.

3. Transfira os limites da segurança da camada de aplicação para a camada de plataforma

Esperar que equipes individuais de desenvolvimento reescrevam manualmente todas as aplicações para oferecer suporte à criptografia pós-quântica gera enorme atrito operacional, atrasa cronogramas e aumenta o risco de erros de configuração.

Para entender o valor dessa abordagem, imagine que cada conexão feita pelas suas aplicações seja uma ligação telefônica criptografada. Os adversários não precisam compreender essas conversas hoje; basta gravá-las. As gravações são incompreensíveis agora, mas não expiram, e a aposta é que computadores quânticos poderão reproduzi-las de forma legível no futuro. Isso significa que qualquer "conversa de informações" realizada hoje — seja a transferência de dados de treinamento para um cluster de GPUs, a replicação de pesos de modelos entre diferentes localidades ou a troca de credenciais entre agentes — já está potencialmente exposta à estratégia de "coletar agora, descriptografar depois". O Red Hat OpenShift altera a criptografia de todas essas conexões no nível da plataforma, utilizando algoritmos desenvolvidos para resistir a ataques quânticos, garantindo que as gravações feitas hoje continuem incompreensíveis, sem que qualquer equipe de desenvolvimento precise modificar seu próprio código.

Acreditamos que a segurança quântica já é um requisito imediato para proteger ativos de IA em trânsito. Isso muda a conversa de uma preocupação teórica sobre navegadores no futuro para a proteção imediata dos seus dados proprietários de treinamento, pesos de modelos e registros de agentes contra interceptações. Os clientes da Red Hat podem se beneficiar ao estabelecer uma camada de plataforma de aplicações unificada e criptograficamente ágil, capaz de realizar automaticamente handshakes seguros em nome das cargas de trabalho subjacentes.

O uso de ferramentas de rede segura em toda a plataforma permite que as organizações testem conexões criptográficas pós-quânticas, protegendo instantaneamente a comunicação entre containers contra interceptações, sem exigir alterações no código-fonte das aplicações. As atualizações criptográficas são realizadas uma única vez no RHEL, propagadas automaticamente para o OpenShift e passam a proteger todas as cargas de trabalho executadas sobre a plataforma. As equipes de desenvolvimento não precisam reescrever código TLS, substituir bibliotecas nem gerenciar a seleção de algoritmos. A plataforma faz isso por elas.

4. Assegure controle operacional absoluto sobre a localização e a execução dos dados

Estar realmente preparado para a era quântica exige mais do que atualizar chaves criptográficas; requer controle total sobre onde os dados estão armazenados e como a infraestrutura executa as cargas de trabalho. Abrir mão dessa autonomia arquitetural para um plano centralizado em nuvem pública deixa a organização operacionalmente vulnerável a decisões de plataforma e políticas de gerenciamento que não estão sob seu controle.

Os operadores podem maximizar o domínio sobre a infraestrutura utilizando ambientes de plataforma isolados para manter limites rigorosos entre diferentes cargas de trabalho computacionais. Isso ajuda a verificar que os caminhos percorridos pelos dados nunca cruzem locais onde essas informações possam ser comprometidas. As organizações também podem combinar essa estratégia com soluções baseadas em hardware, como containers confidenciais, para proteger dados sensíveis enquanto estão sendo processados.

Você não precisa esperar o Q-day para começar a se preparar. Inicie fazendo um inventário da sua superfície criptográfica: saiba de quais algoritmos, tamanhos de chaves e protocolos suas aplicações dependem atualmente. Consulte a documentação sobre criptografia pós-quântica do RHEL e as notas de lançamento do OpenShift 4.22 para entender os recursos já disponíveis. Em seguida, converse com a equipe de contas da Red Hat sobre uma avaliação de prontidão para PQC. Podemos ajudá-lo a definir seu caminho de migração antes que os prazos cheguem.


Sobre o autor

JP Jung is a technical leader with more than 20 years of experience mixing a background as an infrastructure architect with technical partner management and product management to deliver outstanding business value. JP advocates for "upstream first" development, and is currently focused on post-quantum cryptography (PQC) readiness, Federal Information Processing Standards (FIPS) support, and security across both Red Hat OpenStack Services on OpenShift and the overall Red Hat OpenShift Container Platform ecosystem. He drives cryptographic migration strategy aligned with NIST PQC standards (ML-KEM, ML-DSA) and CNSA 2.0 timelines, working to ensure Red Hat's platforms are quantum-safe before regulatory deadlines close. He also covers confidential computing, to protect data in-use.

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