Visão geral
A microssegmentação é uma técnica de segurança definida por software que divide um ambiente de data center e aplicações em pequenos segmentos para proteger cargas de trabalho individuais, como uma aplicação específica em uma máquina virtual (VM) ou em container. Na segmentação de rede tradicional, a segurança se concentra no ponto de contato entre a rede privada e a internet. A microssegmentação internaliza o foco, aplicando políticas de segurança granulares ao tráfego dentro da rede.
Com o isolamento, a microssegmentação impede que invasores transitem entre sistemas mesmo que consigam ultrapassar o ponto de entrada inicial. Essa abordagem é um componente essencial da segurança Zero Trust, em que a comunicação dentro do data center é considerada como não confiável por padrão. Nela, cada solicitação deve ser verificada com base em políticas rigorosas e automatizadas.
Como a microssegmentação funciona
A microssegmentação melhora a segurança da rede ao proteger cada carga de trabalho individualmente, sem depender de um ponto de controle central. Em um data center moderno, onde a carga de trabalho pode ser uma VM, um container ou serverless, essa abordagem complementa as defesas de perímetro existentes. Mesmo que a barreira principal da rede seja ultrapassada, cada componente interno continua protegido por seu limite específico definido por software.
Segmentação de rede tradicional e microssegmentação
Tradicionalmente, as redes eram segmentadas usando ferramentas baseadas em hardware, como firewalls e redes virtuais locais (VLANs). Essa abordagem adota uma segurança vertical, abrangendo o tráfego que entra e sai do data center pelo gateway principal.
O problema é que tudo que está dentro de um segmento específico é considerado confiável. Normalmente, isso permite que uma aplicação e um banco de dados que estejam na mesma VLAN se comuniquem sem restrições. Se um deles for comprometido, o outro estará em risco, visto que o ponto de entrada da rede já foi ultrapassado.
A microssegmentação lida com o tráfego horizontal, ou seja, a comunicação interna entre servidores e aplicações. Quando aplicadas a cargas de trabalho individuais, as políticas de segurança não dependem do layout da rede física subjacente ou VLAN do servidor. Em vez disso, o software define a segurança com base na identidade da carga de trabalho.
Como funciona
A microssegmentação usa três princípios para proteger a rede:
- Isolamento: as cargas de trabalho ficam separadas, salvo quando uma regra permite a comunicação entre elas, o que contribui para um ambiente digital soberano. Por exemplo, é possível isolar os ambientes de desenvolvimento e de produção, mesmo que estejam no mesmo hardware.
- Controle granular: as equipes de segurança podem escrever regras muito específicas. Por exemplo, em vez de “O servidor A pode se comunicar com o servidor B”, a regra estabelece: “O servidor web pode se comunicar com o banco de dados somente por uma porta específica e usando determinados tipos de dados”.
- Princípio do privilégio mínimo: a carga de trabalho recebe o acesso mínimo necessário para executar suas tarefas. Se um serviço não precisa se conectar a outros sistemas, a microssegmentação impede que isso ocorra.
Implementação baseada em software e políticas
Como atualmente as infraestruturas estão sempre evoluindo, fica difícil protegê-las configurando o hardware manualmente. O trabalho manual não acompanha a velocidade das VMs e dos containers.
A microssegmentação é baseada em software e orientada por políticas de segurança como código. Quando uma nova VM ou container é iniciado, o sistema o reconhece e aplica automaticamente as tags e regras de segurança relevantes, que acompanham a carga de trabalho independentemente do servidor físico ou nuvem que ela usa.
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Benefícios da microssegmentação
A microssegmentação oferece um nível de controle e visibilidade difícil de alcançar com uma rede tradicional baseada em hardware, embora não seja impossível. Confira os principais benefícios da microssegmentação nos ambientes de TI modernos:
Segurança reforçada e contenção de movimento lateral
O maior benefício da microssegmentação é conter violações. Em uma rede plana, ao acessar um sistema de baixa prioridade, o invasor pode alcançar destinos de alto valor, como bancos de dados contendo informações dos clientes.
A microssegmentação cria "segmentos individuais" para garantir que, mesmo que uma carga de trabalho seja comprometida, a ameaça permaneça isolada. O invasor fica preso a um "cômodo" digital sem portas para o restante da casa.
Conformidade e auditabilidade aprimoradas
Em setores com regulamentações rigorosas, como saúde ou finanças, a microssegmentação simplifica o processo de conformidade. Ela permite isolar do resto da rede os sistemas internos que processam dados confidenciais.
Como as políticas de segurança são definidas por software, é fácil para os auditores identificarem quais usuários tiveram acesso a cada sistema. Os relatórios granulares tornam mais simples provar que as informações confidenciais estão protegidas conforme as normas regulatórias.
Maior visibilidade e controle sobre o tráfego da rede
É impossível proteger o que não se vê. As ferramentas de microssegmentação oferecem visibilidade detalhada sobre os padrões de tráfego horizontal. As equipes conseguem ver exatamente como as aplicações e serviços interagem em tempo real. Isso permite identificar comportamentos incomuns que indiquem uma ameaça de segurança ou obstáculo ao desempenho.
Adaptabilidade a ambientes de TI modernos
Muitas vezes, as regras de segurança tradicionais são vinculadas a locais físicos, como um endereço IP ou porta de hardware específica. Em um mundo nativo em nuvem, esses locais mudam constantemente conforme os containers são ativados e desativados.
A microssegmentação é compatível com qualquer ambiente. Como a política de segurança está vinculada à carga de trabalho, e não ao hardware da rede, a proteção é consistente onde quer que a carga de trabalho seja executada: em um data center on-premise, em uma nuvem privada ou em um ambiente de nuvem pública.
Gerenciamento simplificado pela automação
Em ambientes modernos e microssegmentados, as políticas de segurança são automatizadas. Quando uma nova aplicação é implantada, ela herda as políticas de segurança necessárias automaticamente com base em sua função. Com isso, administradores humanos não precisam fazer a configuração manualmente, reduzindo o risco de erros.
Microssegmentação e virtualização
Durante anos, a virtualização foi a grande responsável pela eficiência do datacenter, já que permitia executar várias VMs em um mesmo servidor físico. No entanto, a migração para ambientes virtualizados criou novas vulnerabilidades. Os hardwares de firewall tradicionais muitas vezes não identificam o tráfego entre duas VMs no mesmo host físico.
Sem visibilidade, as equipes de segurança não conseguem identificar ou bloquear o movimento lateral malicioso. E esse desafio aumenta com a adoção de arquiteturas nativas em nuvem que usam VMs e containers.
Limites da segmentação tradicional em ambientes virtualizados
Na segmentação tradicional, o tráfego sai do host virtual, passa por um firewall físico e volta ao host para ser inspecionado. Esse processo complexo cria limitações de desempenho e latência, sendo ineficiente para proteger um ambiente escalável. Além disso, em um ambiente virtualizado dinâmico, os endereços IP e localizações mudam com frequência. Regras baseadas em hardware são rígidas demais para acompanhar VMs que migram ou escalam constantemente.
Como a microssegmentação viabiliza uma infraestrutura escalável
A microssegmentação resolve essas ineficiências, desacoplando a segurança do hardware subjacente. Em vez de forçar o tráfego por um firewall central, a política de segurança fica na interface de rede virtual de cada VM ou container.
Isso oferece:
- Desempenho em grande escala: como as verificações de segurança ocorrem na camada virtualizada, não é preciso enviar o tráfego interno para dispositivos externos.
- Consistência em todos os ambientes: a microssegmentação das cargas de trabalho, sejam VMs tradicionais ou containers modernos, oferece uma maneira única de gerenciar as políticas de segurança de todo o stack.
- Mobilidade: quando a VM migra de um host físico para outro, o perímetro de segurança acompanha a VM automaticamente.
Ao integrar a segurança à camada de virtualização, a microssegmentação permite escalar sua infraestrutura rapidamente sem expor os sistemas internos.
Principais casos de uso
A microssegmentação é mais eficaz quando aplicada a objetivos empresariais específicos. Cenários frequentes incluem:
- Proteção de ambientes de nuvem híbrida: estende uma política de segurança unificada a ambientes on-premise e múltiplos provedores de nuvem.
- Conformidade regulatória: isola os sistemas que processam dados confidenciais de saúde ou finanças (como números de cartões de crédito ou prontuários médicos) para atender a requisitos de auditoria rigorosos, sem precisar estender as restrições a toda a rede.
- Proteção dos ambientes de desenvolvimento e produção: procura garantir que bugs ou falhas de segurança no ambiente de teste não passem para o ambiente de produção, onde estão os dados dos clientes.
Desafios e práticas recomendadas
Embora a microssegmentação ofereça mais segurança, migrar do modelo de rede tradicional requer um planejamento cuidadoso.
Desafios comuns
- Complexidade inicial: em grandes organizações, ocorrem milhares de conexões a cada momento. Pode ser difícil mapeá-las para entender quais comunicações devem ser permitidas.
- Gestão de políticas: ao criar mais segmentos, você cria mais políticas. Pode ser difícil para um administrador humano gerenciar milhares de regras de segurança sem as ferramentas certas.
- Integração com as ferramentas existentes: a microssegmentação deve complementar o stack e a infraestrutura de segurança existentes, sem gerar limitações de desempenho ou riscos ocultos.
Práticas recomendadas
Para superar os desafios da microssegmentação e implementá-la com tranquilidade, siga estas práticas recomendadas do setor:
- Comece aos poucos: não tente microssegmentar o data center inteiro da noite para o dia. Comece com uma aplicação ou ambiente específico. Use esses projetos iniciais para aprimorar o processo de criação de políticas.
- Priorize os ativos mais relevantes: concentre os primeiros esforços em aplicações que lidam com dados confidenciais de clientes ou são essenciais para as operações de negócios.
- Automatize sempre que possível: definir regras manualmente não combina com escala. Use ferramentas capazes de identificar padrões de tráfego e sugerir políticas de segurança automaticamente. Com a automação, a segurança acompanha o crescimento do seu ambiente.
- Implemente o monitoramento contínuo: monitore o tráfego da rede constantemente para identificar novos padrões de comunicação e ajustar as políticas conforme as aplicações evoluem.
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